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Mães de crianças especiais de Guarapari relatam que há meses faltam medicamentos no Centro de Saúde

Por Aline Couto

Publicado em 9 de novembro de 2022 às 09:39

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posto Itapebussu
Centro Municipal de Saúde de Guarapari. Foto: reprodução.

Mirele Costa, Gabriella Werneck, Taciana Flores e Rosimelia Ramos estão há meses em busca de medicamentos para os filhos, que tem deficiências, e sempre retornam para casa com a resposta negativa do Centro Municipal de Saúde de Guarapari. De acordo com o relato dessas mães, que representam muitas outras, há remédios que não são repostos há mais de três meses e elas estão precisando comprar, na maioria das vezes sem condições, os medicamentos para suprirem as necessidades dos filhos especiais.

“Sou mãe de Heitor Costa, que é autista. Ele tem três anos e nove meses e faz uso da Risperidona 1ml/1mg (líquido) desde os dois anos de idade. Mas tem mais de três meses que esta e outras medicações estão faltando no Centro Municipal de Saúde. Nossos filhos estão abandonados pelo poder público, com atendimento precário nas unidades de saúde e falta constante de medicação. Meu filho precisa do remédio porque não consegue dormir e tem várias crises. Isso atrapalha muito o convívio social e os estudos dele, entre outros transtornos causados devido à falta da administração do remédio”, contou Mirele.

Gabriella falta medicamentos
Gabriella e Lorruama.

“Minha filha, que está próxima de completar sete anos, se chama Lorruama Lizandra Werneck Ferreira, é autista e também toma Risperidona. Sem o uso da medicação ela fica muito agitada. Desde os três anos ela faz acompanhamento na Pestalozzi”, falou Gabriella Werneck.

“Me chamo Taciana e sou mãe do Vitor Hugo, que tem três anos e oito meses e é portado da deficiência Tea – Transtorno do Espectro Autista. Eu e várias mães que têm filhos especiais, precisamos dos medicamentos para nossas crianças, mas infelizmente já tem meses que vamos buscar no Posto do Itapebussu e não tem. Meu filho precisa do remédio para ser manter tranquilo e calmo. É muita falta de respeito com as criancas especiais que necessitam dos medicamentos. Por favor nos ajude!”, reforçou outra mãe.

Rosi falta medicamentos
Rosimelia e Vitor.

Além da falta de medicamentos, Rosimelia está com dificuldades de conseguir a sonda que o filho, Vitor Ramos, 13 anos, usa para se alimentar. “Estou com problemas nesses postos de Guarapari. Meu filho se alimenta através de sonda e infelizmente não encontro nos postos. Já reclamei e fui à ouvidoria, mas não tive respostas. Sem esquecer que também faltam remédios no município”.

Rosimelia relatou que o filho é autista e tem mais de 11 outras condições, e por isso faz acompanhamento com especialistas.

“Ela se alimenta por uma sonda devido a anorexia e a seletividade alimentar grave. É por causa dessa sonda que ele tem sobrevivido. Vitor tem osteoporose e mal conseguia andar, por conta da alimentação pela sonda tem conseguido voltar a andar. O problema é que o posto de Muquiçaba não está mais fornecendo o equipo para a nutrição enteral dele, está vindo o equipo que não encaixa no botom dele. Estou desesperada, como meu filho vai sobreviver sem a sonda. Preciso desse equipo com urgência. Já fui à ouvidoria para reclamar, mas eles não estão nem aí, não resolvem nada. Meu filho tem pressa. Fora que os médicos passam medicamentos para meu filho, vou no posto de Itapebussu e está sempre em falta. Meu filho precisa dessas medicações para controlar os problemas dele. Eu saio chorando do posto porque não tem, e nem sempre tenho condições de comprar esses remédios. E no caso do Vitor, ainda tenho a questão do pedido de densitometria óssea na Secretaria da Saúde que já tem um ano e até agora não tenho resposta. Está tudo muito complicado com a saúde do município”, descreveu.

O que diz a prefeitura?

Procurada para esclarecer o porquê da falta de medicamentos para distribuição no município, a Prefeitura de Guarapari, através da Secretaria de Saúde (Semsa), informou que o processo de compra de alguns medicamentos sofreu alterações devido à grande demanda, o que gerou atraso na aquisição. “A situação foi resolvida e a previsão é que até dezembro se normalize”, comunicou o órgão.

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