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Mais amor, por favor!

Por Hamilton Garcia

Publicado em 2 de agosto de 2016 às 12:02
Atualizado em 2 de agosto de 2016 às 12:42
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Por Tayla Oliveira

Em 2009, o artista plástico Ygor Marotta já estampava nos muros de São Paulo a frase “Mais amor, por favor”. A mensagem ganhou fãs na cidade e se tornou viral na internet e como disse o próprio criador o dizer “virou um organismo vivo, se transformou em uma corrente para o bem”.

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Foto: Mistura Urbana.

O apelo continua e se torna cada vez mais necessário. Em um mundo em que todos estão cada vez mais individuais, pensando em si próprio e olhando menos para o lado, falta amor pelo próximo, assim como o valor pela vida.

Um levantamento mundial realizado pela organização não governamental inglesa Charities Aid Foundation (CAF) mostrou que a posição brasileira no ranking mundial de solidariedade caiu e hoje ocupa  76º dentro de um grupo de 153 nações avaliadas. Os norte-americanos aparecem na primeira colocação, seguidos por Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido.

As explicações para a baixa solidariedade do brasileiro passam por questões culturais. O diretor presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) – representante da CAF no Brasil –, Marcos Kisil, Kisil argumentou que a sociedade norte-americana foi fundada em princípios solidários, já que as próprias comunidades tinham de se organizar para a construção de escolas e hospitais, por exemplo. “Isso criou um forte sentido de pertencimento”, explicou.

Para a coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre o Terceiro Setor da Universidade Federal do Paraná, Ana Lucia Jansen de Mello de Santana, o resultado do Brasil não é novidade. Ela explicou que diversas pesquisas apontam que, em geral, o voluntário é alguém maduro, que já se estabeleceu no mercado de trabalho. Como a maioria da população brasileira ainda é composta por crianças e jovens, o índice de solidariedade tende a ser menor.

Os exemplos de que os valores estão invertidos não faltam. E isso começa no ambiente familiar, na ausência da formação da criança como um futuro cidadão responsável e ciente do seu compromisso na sociedade.

Hoje as pessoas estão mais preocupadas em crescer profissionalmente do que ver a sociedade evoluindo em conjunto. Nesse contexto as causas coletivas ficam em segundo plano. O que falta? Fazer a diferença e garantir que o amanhã não tenha apelos por mais amor, e que números sejam apenas da quantidade de pessoas que se ajudam e assim cresçam juntas.

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