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Surdos: eles só querem ser respeitados e compreendidos

Por Livia Rangel

Publicado em 11 de julho de 2014 às 00:00
Atualizado em 27 de janeiro de 2015 às 10:18

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“Como é ‘ouvir’ uma mão? Como é ser surdo e sozinho em companhia dos que podem ouvir e você somente tenta adivinhar, pois não há ninguém lá com uma mão ajudadora enquanto você tenta acompanhar as palavras e a música? Você precisa ser surdo para entender!” Esse trecho da poesia Você precisa ser surdo, de Willerd e Madsen reflete bem como se sente a maioria dessa população que está tão próxima de nós, mas ao mesmo tempo tão distante: a comunidade surda.

Composta pelas pessoas que não podem ouvir – ou por alguma doença que prejudicou o aparelho auditivo em alguma fase da vida ou congênita – o fato é que a comunidade surda galga cada vez mais passos em direção à sua autonomia, buscando tanto a sua autoafirmação como o seu reconhecimento e respeito pelos ouvintes.

Alguns acham que os surdos não sabem praticamente nada, porque não ouvem. Há pais que superprotegem seus filhos surdos ou temem integrá-los ao mundo lá fora. Também há quem ache que a língua de sinais é primitiva, ou inferior à língua falada e por isso não é de admirar que, até hoje, alguns surdos se sintam oprimidos e incompreendidos.

Língua própria. Um aspecto muito importante na legitimação da cultura própria dos surdos é a sua língua, de caráter espaço-visual. E assim como acontece nas línguas orais, cada região possui o seu idioma e sotaques próprios. No Brasil, a língua dos surdos é a Libras – Língua Brasileira de Sinais, que em 2002 também se tornou o segundo idioma oficial do país.

Atualmente, existem pelo menos duas situações em que a lei confere ao surdo o direito ao intérprete de Libras: nos depoimentos e julgamentos de surdos e no processo de inclusão, educando os surdos nas classes de ensino regular. E a partir do ano que vem também será obrigatório em lugares públicos, como escolas, hospitais e bancos.

Para difundir mais conhecimentos sobre a Libras na cidade Saúde, foi montada no dia 27 de junho uma exposição no Shopping Guarapari, organizada pelos alunos e professores do Curso Técnico de Tradutor e Intérprete de Libras da Escola Angélica Paixão. O evento contou com diversas atividades interativas, dinâmicas e orientações diversas sobre a língua dos surdos.

“Esta é a primeira turma da cidade e terceira do Estado, que irá habilitar cerca de 70 estudantes, sendo três deles surdos”, afirma a coordenadora do curso, Rute Leia Silva. Ela destaca que as línguas de sinais não são somente gestos e mímicas: elas possuem estruturas gramaticais próprias. “Pode ser difícil de aprender no começo, mas é como qualquer coisa nova que iniciamos: tudo uma questão de prática e costume”.

Um banner com o alfabeto manual em tamanho grande foi uma das atividades que mais atraiu a atenção dos que passavam pelo local, como a jovem Luana Soares que parou um pouco para aprender como soletrar o nome na língua dos surdos. “Achei muito legal e estou levando uma cópia para mostrar para meus amigos e também na escola”, disse.

Outra atração à parte foram as dramatizações mesclando Libras e mímica, feitas pelos alunos surdos Wallace Miranda e Vanessa Bergamini (veja o vídeo com uma das apresentações da dupla no final da matéria). Eles se sentiram muito gratificados em ver a sua língua natural sendo valorizada e esperam diminuir cada vez mais as distâncias entre surdos e ouvintes.

Vários outros surdos também fizeram questão de prestigiar o evento, como Ricardo Brandão, e transformaram um dos lados do pátio central em uma roda de bate-papo em Libras. “Gostei muito. Os alunos estão de parabéns e espero que tenham mais reuniões como essa. O surdo gosta muito de compartilhar a sua língua com quem deseja aprender”.

Surdo ou mudo? Não é correto dizer que alguém é mudo ou surdo-mudo. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, e podem fazer muitos sons com a garganta, ao rir, e mesmo ao gestualizar. Além disso, sua comunicação envolve todo o seu espaço, através da expressão facial-corporal, ou seja o uso das expressões visuais, mãos, e braços é muito importante em sua língua natural.

Por que aprender Libras?

* É o segundo idioma oficial do Brasil, e também é o meio que nós temos para nos comunicar com os surdos. 

* A Língua de Sinais proporciona mais agilidade no seu raciocínio. A gente aprende a pensar visualmente e não apenas verbalmente, também pensamos com mais rapidez; além de ser uma linguagem mais direta, sem as complexas regras da Língua Portuguesa.

* Aprender o idioma dos surdos nos aproxima deles e nos faz com que os conheçamos melhor.

* Saber Libras é um destaque no seu currículo também. O mercado de trabalho está bem aberto em busca de intérpretes, exatamente pelo fato de as leis explicitarem que é um direito do surdo ser atendido em seu idioma em qualquer instituição pública; e como não há o número suficiente de profissionais qualificados para atender essa demanda, a busca por quem sabe a Língua é grande.

 

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