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Tradição: Família de Alfredo Chaves comemora o dia de Santa Luzia

Por Gabriely Santana

Publicado em 12 de dezembro de 2016 às 09:32
Atualizado em 12 de dezembro de 2016 às 09:36

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Há cinco gerações a família da aposentada Magnólia Bertolde Escandian, 97 anos, leva a tradição de comemorar o dia de Santa Luzia. Ela, que aprendeu com os pais, quando era criança, juntamente com seus irmãos, costumava colocar pratinhos enfeitados com capim. “A alegria era muito quando acordávamos e víamos os pratos cheios de doce e cavaco. Íamos dormir bem cedo de tanta ansiedade”, conta. Segundo a tradição, na véspera do dia da Santa (13/12), as crianças costumam colocar pratinhos enfeitados com capim, milho e flores, próximo a árvore de Natal ou na mesa principal da casa, para o cavalinho da Santa. Em troca, os pequenos ganham doces.

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Família Escandiam mantem a tradição de Santa luzia há cinco gerações. Foto: Secompmac

E o costume passou para seus filhos e netos. “Mantive o costume para meus filhos e eles, para meus netos”, disse. Sua filha, Maria da Penha Escandian Luiz, 70, manteve a tradição para seus três filhos. O jovem Davi Cetto Escandian, 6 anos, bisneto da aposentada, continua com o costume e acredita que a santa irá trazer doces para ele. “Vou colocar meu pratinho e espero ganhar muitos doces de Santa Luzia”, disse.

De acordo com o escritor e jornalista, Hésio Pessali, o costume integra um cenário maior da tradição italiana, em que as celebrações, chamadas de festas do calendário católico, têm uma presença significativa. “As celebrações, como a de Santa Luzia, tinham um aspecto não só religioso, mas também festivo, social e afetivo, de encontro de pessoas e famílias. Na manhã em que ganhavam os doces, as crianças se visitavam, ficavam mostrando o que haviam ganho e, conforme as preferências, trocavam doces umas com as outras”, relata.

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Capela foi construída há 111 anos, em agradecimento a uma promessa atendida por um agricultor em Alfredo Chaves. Foto: Secompmac

Pessali lembra ainda que quando era criança, suas avós e vizinhos entoavam canções em dialeto italiano em louvor à santa.  A canção era ensinada aos pequenos. “A tradição se mantém até hoje, principalmente no interior. Quando a criança crescia e ia descobrindo quem era a “Santa Luzia” a descoberta era tida como uma coisa natural. A partir daí, não ganhava mais doces“, conta.

Os doces na época eram comprados uns dias antes na sede do município onde os bares tinham uma variedade maior, e ficavam escondidos em casa em algum lugar inacessível às crianças. Geralmente Santa Luzia trazia balas, mariolas, bolachas e cavacos.

Fé na Santa dos olhos

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As crianças costumam colocar pratinhos enfeitados com capim, milho e flores, próximo a árvore de Natal ou na mesa principal da casa, para o cavalinho da Santa.

E em diversas comunidades de Alfredo Chaves, Santa Luzia é homenageada e possui muitos devotos. Na localidade de Quarto Território, uma capela foi construída há 111 anos, em agradecimento a uma promessa atendida. De acordo com o produtor rural Antônio Luiz Parteli, 55, a família Lorencini construiu, na época, uma capelinha que anos mais tarde foi ampliada. Conforme Parteli, a família trouxe a imagem da padroeira diretamente da Itália – na imagem está cravado o nome de Santa Lúcia, como é conhecida na Itália. “Sei que a promessa foi para melhorar a visão de um dos filhos do patriarca da família. Ele depois faleceu e hoje a família não mora mais aqui na localidade. Mas todos os anos, no dia da santa, alguns deles participam com a nossa comunidade da missa e um dia de festividades. A festa atrai uma multidão todos os anos”, conta.

Já na sede da cidade, os moradores do bairro Portal dos Imigrantes realizam semanalmente celebrações nas residências com imagem da Santa. “Há mais de dez anos fazemos essa caminhada com a imagem de Santa Luzia. Minha família e a maioria do bairro preserva ainda o costume das crianças colocarem pratinho para ela e receberam doce em troca. É uma tradição que não podemos deixar esquecida”, disse a aposentada Kátia Regina Cecute Parmaganani, 53, uma das organizadoras das celebrações semanais.

“Eu ensinei minhas filhas a manter o costume e a devoção na santa. Hoje, ajudo a minha netinha a montar o pratinho na véspera do dia”, disse a conselheira tutelar e também organizadora das celebrações religiosas no bairro, Lucínia Partelli Peruzzo, 55 anos.

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