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Pastor Raphael Abdalla
Coluna Raphael Abdalla

Pastor Raphael Abdalla escreve para o folhaonline.es aos domingos passando mensagens de fé e esperança aos leitores.

Coluna Raphael Abdalla

O excesso de opinião e a escassez de sabedoria

Por Redação Folhaonline.es
pela fe
Foto: reprodução

Todos têm uma opinião sobre quase tudo. Basta surgir uma notícia, uma polêmica ou um acontecimento qualquer para que milhares de vozes apareçam imediatamente. Em poucos minutos, especialistas improvisados explicam economia, medicina, educação, política, família, religião e qualquer outro assunto que esteja em evidência. Nunca foi tão fácil falar. O problema é que falar muito não significa compreender muito.

A Bíblia faz uma distinção importante entre opinião e sabedoria. Opinião qualquer pessoa pode ter. Sabedoria exige caráter, humildade, conhecimento e, acima de tudo, disposição para ouvir antes de concluir. O livro de Provérbios afirma: “Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha” (Provérbios 18.13). Quantos conflitos poderiam ser evitados se esse conselho fosse levado a sério.

A rapidez com que julgamos revela, muitas vezes, a superficialidade com que pensamos. Conhecemos apenas um trecho da história, mas emitimos um veredito completo. Escutamos uma versão e acreditamos que já dominamos todos os fatos. Esquecemos que toda situação possui nuances, contextos e detalhes que nem sempre aparecem diante dos nossos olhos.

Outro risco é transformar opinião em identidade. Há pessoas que se sentem obrigadas a comentar absolutamente tudo, como se o silêncio representasse fraqueza ou falta de inteligência. Não é verdade. A maturidade também se manifesta quando alguém reconhece que ainda não sabe o suficiente para emitir um juízo. Quem precisa opinar sobre tudo acaba aprendendo pouco sobre qualquer coisa.

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O cristão é chamado para uma postura diferente. Tiago recomenda que sejamos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para nos irarmos. Essa ordem não é acidental. Ouvir vem antes de falar porque a sabedoria nasce da escuta. Pessoas sábias fazem perguntas antes de oferecer respostas. Procuram entender antes de convencer. Preferem a verdade ao aplauso.

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Isso também vale para os relacionamentos. Muitos desentendimentos familiares, profissionais e até eclesiásticos surgem porque alguém falou sem conhecer todos os fatos. Uma palavra precipitada pode ferir profundamente, enquanto uma escuta atenta abre espaço para a reconciliação. Quem aprende a ouvir demonstra respeito, prudência e amor pelo próximo.

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Vivemos cercados por ruído. Talvez uma das maiores demonstrações de sabedoria atualmente seja escolher cuidadosamente quando falar e quando permanecer em silêncio. Nem toda provocação merece resposta. Nem toda discussão merece participação. Nem toda opinião precisa ser publicada.

O mundo precisa de menos discursos impulsivos e mais pessoas comprometidas com a verdade. A sabedoria nunca fez tanto sentido. Ela continua falando baixo, exigindo paciência, discernimento e humildade. Talvez por isso seja tão rara. E justamente por ser rara, continua sendo um dos bens mais valiosos que alguém pode possuir.

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