
Opinar virou reflexo. Uma manchete lida às pressas, um vídeo recortado ou uma frase retirada do contexto parecem suficientes para julgarmos pessoas e situações. As redes sociais colocaram um microfone diante de cada um de nós, e muita gente fala antes mesmo de compreender.
Ter acesso a muitas informações não nos torna conhecedores de todos os assuntos. Certos temas exigem estudo, outros dependem de fatos que ainda não vieram a público. Mesmo assim, opiniões são apresentadas como sentenças definitivas. Falamos sobre saúde, direito, política, educação, fé e dramas familiares com uma segurança desproporcional ao que sabemos de fato. Dizer “não sei o suficiente para opinar” pode ser uma das maiores demonstrações de honestidade intelectual.
A Bíblia trata a palavra com seriedade. Tiago aconselha: “Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1.19). O livro de Provérbios acrescenta: “Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha” (Provérbios 18.13). A sabedoria começa quando reconhecemos que ouvir bem deve preceder qualquer resposta.
A necessidade de comentar tudo prejudica a escuta e empobrece as conversas. Enquanto alguém fala, muitos já preparam uma resposta, procuram uma falha ou escolhem um lado. Poucos se dedicam a compreender o caminho que levou o outro àquela conclusão. O resultado aparece em relacionamentos rompidos, reputações feridas e conflitos que poderiam ter sido evitados. Uma acusação falsa alcança milhares de pessoas em poucos minutos; sua correção quase nunca percorre a mesma distância.
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Antes de publicar ou repetir alguma coisa, três perguntas podem nos proteger: conheço o assunto o bastante? Eu diria isso diante da pessoa envolvida? Minhas palavras ajudam a esclarecer ou aumentam a confusão? O espaço público já está cheio de vozes apressadas. Falar com responsabilidade também é uma forma de amar o próximo.