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Marcelo Moryan é Publicitário, Designer, Escritor, Fotógrafo, Artista Multimídia e tem mais de 90 prêmios nacionais e internacionais na sua carreira.

Coluna Marcelo Moryan: Meu apelo aos supermercados Perim

Por Marcelo Moryan

Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 15:00
Atualizado em 11 de janeiro de 2026 às 15:00

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Foto: Marcelo Moryan

Tenho um sonho recorrente, quase uma utopia administrativa, de que nosso estado passasse por uma intervenção. Calma, não me refiro a tanques nas ruas ou decretos autoritários. Falo de uma intervenção de gestão, um choque de ordem naquilo que deveria ser a alma de qualquer lugar turístico: a arte de tratar bem o outro.

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Quem vive ou frequenta Guarapari — cidade que amo e defendo, diga-se de passagem — sabe que o cenário natural é divino, mas o fator humano, por vezes, parece empenhado em testar nossa fé na humanidade.

Vejam o calvário recente da minha família. Minha nora, na Praia do Morro, cometeu a ousadia de perguntar o preço de um puxador de areia. “Quarenta reais”, disse o vendedor. Diante da recusa educada dela, o preço caiu para vinte num passe de mágica desesperado. Nova recusa, novo agradecimento. A tréplica do comerciante? “Pô, você quer levar de graça?”. A lógica é fascinante: para alguns, o cliente que não compra não é um cidadão exercendo seu direito de escolha, é um inimigo pessoal.

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No dia seguinte, minha esposa foi a vítima da “privatização do grão de areia”. Instalada na praia, foi abordada por um sujeito de caiaque com a postura de um monarca absolutista, ordenando sua saída sob o pretexto de que aquele pedaço de chão público era “dele”, pois ele pagava impostos. Diante da grosseria, restou-lhe retirar-se para evitar a fadiga da barbárie. E nem vou me estender sobre a atendente da sorveteria que, com a simpatia de um carcereiro, resumiu o cardápio a um “só tem o que você está vendo aí”.

É um azedume sistêmico. Parece que, em muitos lugares, estamos pedindo um favor ao gastar nosso dinheiro.

E é exatamente neste ponto, quando minha esperança na civilidade começa a minguar, que preciso falar dos Supermercados Perim.

Acompanho a trajetória dessa rede há muitos anos no Espírito Santo. Conheço seus corredores como conheço a palma da minha mão. E, antes que os cínicos de plantão levantem a sobrancelha, faço aqui um esclarecimento necessário: não tenho absolutamente nenhum relacionamento pessoal, comercial ou publicitário com o Grupo Perim. Não conheço os donos, não ganho cortesias. Falo com a autoridade única e soberana do consumidor que paga suas contas.

Mas a verdade é que o contraste chega a ser violento. Sair dessa “zona de guerra” de maus tratos — seja no comércio ou na areia — e cruzar a porta automática do Perim causa um choque. É como atravessar um portal dimensional. Você sai da “selva” do mau humor e adentra uma cápsula de civilidade. É quase uma afronta ao padrão vigente. Enquanto lá fora o tratamento é muitas vezes áspero, lá dentro a equipe parece ter sido vacinada contra a grosseria.

E aqui faço uma provocação ao próprio marketing da empresa. O slogan histórico do Perim é “O Melhor Preço Médio”. Com a devida licença poética, eu diria que há um erro aí. Vamos ser honestos: nas grandes redes, os valores praticamente se equivalem, centavo a mais, centavo a menos. O que faz a diferença real para o consumidor não é a etiqueta, é a alma do negócio. O slogan correto, o verdadeiro diferencial, deveria ser “O Melhor Atendimento Médio”. Porque preço a gente negocia e compara; educação e gentileza, infelizmente, viraram artigos de luxo que a concorrência esqueceu de estocar.

Sei que nenhuma empresa é perfeita. Certamente existem falhas, dias ruins, problemas pontuais. Mas, na média — e a média é o que define a cultura —, a distância entre o atendimento deles e o que vemos por aí é abissal. É irritante de tão bom. O humor não oscila com o clima ou com o tamanho da fila.

A prova definitiva vem do meu neto. Autista, ele é um radar humano para ambientes hostis ou acolhedores. Ele não tem filtros sociais para fingir bem-estar. E ele não me pede: “Vovô, vamos ao mercado”. Ele diz: “Vovô, vamos passear no Perim”. Percebem a semântica? Para ele, aquilo não é uma tarefa doméstica, é lazer. É um refúgio onde ele se sente seguro e bem tratado. Essa “educação de cortesia” vale mais que qualquer promoção.

Por isso, chego ao meu grande desfecho e ao motivo deste texto.

Meu apelo solene à diretoria dos Supermercados Perim:

Por favor, não se limitem a vender produtos. Assumam o RH do Espírito Santo.

Considerem prestar uma consultoria cívica ao nosso comércio. O estado precisa desesperadamente descobrir qual é a fórmula que vocês usam na água dos bebedouros dos funcionários. Se vocês conseguem manter esse padrão de “passeio” e acolhimento há décadas, o resto do mercado não tem mais desculpa para nos tratar como estorvo.

Fica aqui o convite: exportem essa civilidade para além das portas automáticas de vocês. Guarapari e o Espírito Santo agradeceriam imensamente.

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