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Editorial 135 – Água: o momento é crítico e demanda esforço coletivo

Por Livia Rangel

Publicado em 27 de outubro de 2015 às 17:20
Atualizado em 27 de outubro de 2015 às 17:20
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agua2Antes era apenas um cenário de atenção, mas agora o alerta chegou com força e tudo indica que veio para ficar. A falta de previsão de chuva para o estado que o diga. E mais urgente que decretar estado de emergência, é preciso que cada um desperte a sua consciência: necessitamos rever o uso da água nas bacias hidrográficas do Estado.

O nível do Rio Doce chegou a apenas 7 cm onde deveria estar 1,20 metro. Hoje, ele nem encontra mais o mar. Resultado da maré baixa e pouca vazão – mais um sinal da severidade da crise hídrica. Outra alerta é a vazão do Rio Jucu, que abastece a Grande Vitória.  De 5.582 litros por segundo já está bem perto do nível crítico de 5.292 litros.

Não é diferente com o Rio Santa Maria da Vitória – outro responsável pelo abastecimento da Grande Vitória. A vazão atual é de 3.316 litros por segundo, nível abaixo do ponto crítico de 3.800 litros. Baixa que afeta também o município de Santa Leopoldina – que hoje está sendo praticamente “abastecida” por carros pipa.

E não faltam exemplos de seca pelo estado a fora. Em Sooretama, o córrego Rodrigues está seco e o abastecimento acontece apenas à noite. O Rio Preto, em São Mateus, também está secando e tem moradores recebendo água com sal na torneira por conta da baixa captação no Rio Cricaré. Em Colatina, foi decretado estado de emergência.

Em Ibiraçu, a água chega em dias alternados com a seca da nascente da lagoa do Rio Sapatino. Em Itaguaçu, o abastecimento acontece apenas das 6h às 18h diante do baixo nível de água no Rio Santa Joana. No distrito de Lajinha de Pancas, os moradores sofrem com a falta de água há mais de um mês. Na Serra, água na torneira só algumas horas por dia.

O problema parece estar longe, afinal onde fica Sooretama, São Mateus, Colatina, Ibiraçu, Itaguaçu, Lajinha de Pancas, Serra??? É tanto individualismo enraizado no ser humano, que o problema só passa a ser nosso quando chega a nossa casa. Parece que não é só falta de água que estamos sofrendo, mas também de altruísmo.

Porque enquanto centenas de famílias sofrem com a seca de um lado, nós continuamos escovando os dentes com a torneira aberta, ensaboando-nos com o chuveiro aberto, lavando a louça com a torneira aberta, lavando calçadas e carros, enchendo piscinas… Seguimos desperdiçando até que o problema seque a nossa torneira.

É tão mais importante olhar para o próprio umbigo que nos esquecemos de perceber o que acontece a nossa volta. A captação de água para indústria está suspensa em nove cidades capixabas e só pode ser feita entre 18h e 5h nos demais 69 municípios. Isso afeta toda uma cadeia sócio-econômica da qual nós fazemos parte.

As indústrias terão que adotar medidas de reuso, reaproveitamento e reciclagem de água. O setor turístico também terá que suspender a captação de água com finalidade de lazer. As prefeituras receberam a orientação de adaptar seus códigos municipais de postura multando moradores quando houver uso inadequado da água.

A ordem é clara: a prioridade é o abastecimento humano cujo momento crítico demanda esforço coletivo. Guarapari fez o seu decreto e tem uma multa de R$ 622 para quem for pego em flagrante. Mas só isso serve? Não seria momento de se pensar em alternativas mais palpáveis, soluções mais contundentes e um planejamento de verdade…

O verão bate à porta e todo ano se repete a falta de água. Será que os 300 dias entre uma alta temporada e outra não são suficientes para se debater, organizar e concretizar algo preventivo? Talvez fosse melhor gastar este precioso tempo para se tratar de água do que ficar discutindo se somos ou não somos a 33ª cidade mais bem administrada do país. Fica a dica!

 

 

 

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