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Guarapari – os desafios da cidade saúde

Por Livia Rangel

Publicado em 20 de agosto de 2012 às 00:00
Atualizado em 27 de janeiro de 2015 às 16:37

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Não há como negar: Guarapari é um dos endereços mais conhecidos do Espírito Santo. Balneário com mais de 50 praias, areia monazítica e destino certo dos nossos “vizinhos” de Minas Gerais e da Bahia, a cidade transpira turismo no verão. Mas há um lado, não tão distante das ondas, que poucos conhecem: uma Guarapari com ruas de terra batida, sem tratamento sanitário, onde sobram reclamações.

A “Cidade Saúde” também adoeceu nos últimos tempos, segundo os moradores. Apesar de ter mais de 105 mil habitantes, o município conta com nove postos de saúde e um único pronto-atendimento 24 horas. Isso, sem levar em conta que, na alta estação, a população chega a quintuplicar, devido ao fluxo turístico.

Esse “lado B” do balneário mais famoso do Estado está na pauta do processo eleitoral. O comando da cidade é disputado por três candidatos, sendo um deles o atual prefeito, Edson Magalhães (PPS). Os outros são Ricardo Conde (PSB) e Carlos Von (PSL).

Edson é o primeiro prefeito a tentar a reeleição em Guarapari. Sua gestão já começou em meio à instabilidade política instaurada no município desde a década de 90. De lá para cá, não foram poucas as interferências da Justiça na administração, afastando e cassando chefes do Executivo. Em 2006, Edson mesmo assumiu a prefeitura depois que o prefeito Antonico Gotardo (PHS) foi afastado, acusado de irregularidades na contratação de transporte público.

Instabilidade. O mandato do atual prefeito também não passou em cândidas nuvens. Em março deste ano, ele foi condenado à perda dos direitos políticos em uma ação por improbidade administrativa – em processo também ligado ao transporte público.

Além disso, Edson teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, que entende que como comandou a cidade entre 2006 e 2008, uma vitória agora significaria um terceiro mandato – algo não permitido. Tudo isso está servindo de trunfo nas mãos dos adversários.

“Espero que ele não se faça de vítima, afinal de contas, está pagando por tudo que não fez. Edson foi um bom prefeito, tinha a proposta de resgatar a cidade de um déficit de infraestrutura e cumpriu esse papel, com muitas obras. Mas não teve competência política para atrair investimentos e desequilibrou a Saúde e a Educação”, critica Conde.

Pelas ruas, moradores também demonstram insatisfação com os serviços públicos. Morador do bairro Concha D’Ostras, o pedreiro João Gonzaga de Jesus Bispo, de 56 anos, perdeu um neto, que nem nasceu, porque a nora não teve atendimento médico.

“Levei minha nora ao posto, ao hospital, e não tinha médico na cidade. Depois, mandaram a gente para Vitória, mas no meio do caminho o bebê morreu, ainda na barriga. Faltavam só três dias para ele nascer. A Cidade Saúde, de saúde, não tem nada”, desabafou João.

 

Outro ponto que ecoa, tanto na campanha quanto entre o eleitorado, é a falta de novas empresas e negócios na cidade. Carlos Von, que apresenta-se ao eleitor como “uma nova opção, a terceira via”, mira na criação de novos postos de trabalho como plataforma de governo.

“Guarapari virou uma cidade sem infraestrutura para o turista. No verão, demora-se uma hora para comprar um pão, não se encontra restaurante. O desemprego entre os jovens é muito alto, e só se vence isso qualificando o turismo e aquecendo a economia”, vislumbra.

Governista. Conde também critica o modelo econômico adotado pelo adversário que tenta a reeleição e pontua que por ser do PSB, partido do governador Renato Casagrande, tem garantias de mais investimentos estaduais na cidade.

“Turismo não se faz só de beleza natural. Quero a prefeitura como facilitadora para atrair uma marina, novos hotéis e conseguir que cruzeiros marítimos atraquem aqui. É preciso uma reforma fiscal para aumentar a arrecadação e correr atrás de convênios”, destacou o socialista.

Edson, por sua vez, rebate as críticas dos adversários e diz que, em 2008, quando se elegeu, traçou metas para os oito anos seguintes, “já pensando na possibilidade de reeleição”. Por isso, segundo ele, será necessário um novo mandato para conquistar melhores índices na área social.

“A Saúde não é um calo na minha gestão. É um calo no Brasil. O Programa de Saúde da Família (PSF) prevê que cada unidade de saúde tenha abrangência para 4,5 mil famílias. Ainda não temos isso. O plano é recente e as unidades têm que ser vistas como pontos de saúde preventiva. Já temos uma unidade 24 horas e até o fim do ano vamos inaugurar a unidade infantil na Praia do Morro”, anunciou o prefeito.

Atendimento. Mas o que dizer da falta de preparo dos profissionais, queixa da atendente comercial Gisele Vieira da Silva? Ela conta que para conseguir uma consulta, chega a esperar por até um mês, e que quando chega ao posto, é mal atendida.

“Teve época em que nem médico tinha, e quem nos atendia eram enfermeiras. Nem olham para a cara da gente”, relata a moradora do bairro Kubitschek, periferia da “Cidade Saúde”. Como em outros bairros, por lá calçamento é artigo de luxo, e só agora está chegando. “Estão mexendo agora, e deve ser por causa do período eleitoral”, desconfia Gisele.

A GAZETA esteve em Guarapari na última quarta-feira. Por lá, é impossível não notar as placas de pavimentação e construção de praças, sobretudo perto das principais vias. As escolas municipais mais recentes têm quadra coberta e um padrão arquitetônico que chama a atenção. São obras que arrancam elogios tanto dos eleitores quanto dos adversários de Edson.

Daqui até a eleição, o prefeito deve enfrentar outros desafios. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deve julgar, esta semana, seu recurso contra o indeferimento da candidatura e, em meio a isso, será preciso tocar a campanha, conciliando-a com a administração. “O povo quer saber de obra, de estabilidade. Sou um empreendedor, um populista, e vou correr atrás dos votos com humildade”, finalizou Edson.

RAIO X DA CIDADE

População – De acordo com o último censo do IBGE, Guarapari tem 105,2 mil habitantes. No verão, entretanto, o fluxo turístico eleva o número de moradores para cerca de 500 mil pessoas.

Orçamento – Para o exercício de 2012, a prefeitura tem em caixa cerca de R$ 260 milhões. Aproximadamente 22% disso são destinados a investimentos.

Riqueza – O PIB per capita da cidade é de R$ 7.755.

Saúde – Apontada como um dos principais problemas de Guarapari, a Saúde absorveu R$ 25,5 milhões em investimentos em 2010. No ranking estadual, é o 74º município em despesa per capita na área.

Educação – De 2008 para cá, foram construídas 16 novas escolas. Edson Magalhães promete 20 novas unidades até 2016, se reeleito.

Fonte: Jornal A Gazeta 20/08/2012

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